ESTILISTA CRIA QUIMONOS PARA SEREM USADOS MESMO DEPOIS QUE A ATUAL ONDA ORIENTAL PASSAR

Maria Sanz veste uma das suas criações
Peças de Maria Sanz já foram usadas por Marieta Severo em “Verdades Secretas” e por Glória Pires em “Babilônia”

Site Oficial: www.mariasanzmartins.com


Para Maria Sanz, o quimono é tão versátil e democrático que chega a ser subversivo. Em evidência nas coleções de marcas brasileiras e internacionais, a tradicional vestimenta das gueixas, segundo a designer capixaba, pode ser usada em qualquer ocasião. E é justamente aí que está a subversão. 


— Você pode usar com rasteirinha e short jeans para receber uma pessoa na sua casa. Pode ainda combinar com salto e acessórios incríveis para ir a uma festa. Por isso, digo que ele é subversivo o suficiente para que a mulher o use onde e quando quiser. É uma peça que dá poder ao mesmo tempo em que é feminina e delicada. Tudo depende do que a mulher tem em mente — diz Maria. 

Ela desenha as estampas de seus quimonos (que já foram usados por Marieta Severo em “Verdades Secretas” e por Glória Pires em “Babilônia”) em tecidos diversos, do algodão ao cetim. Coleção? Prefere não fazer. 

— Chamo as linhas que vão saindo de fornadas. Dependendo da aceitação, eu decido se continuarei investindo nas peças. Não sou uma marca grande. O meu produto ainda é artesanal, naïf mesmo — conta Maria, que produz versões curtas, médias ou longas das peças. No Rio, os quimonos estão à venda na multimarcas Dona Coisa. 

As peças são batizadas com nomes de mulheres que, de alguma forma, marcaram a vida de Maria. Formada em Direito, ela se desviou da profissão por causa da influência da mãe marchand e da avó pintora. 

— Lembro da minha mãe vestindo quimonos e caftãs. De alguma maneira, isso ficou na minha cabeça e me fez ter uma ligação sentimental com as peças. Anos mais tarde, estampei um tecido e fiz um quimono. Isso foi bem antes dessa modinha que veio agora. Aliás, a moda prostitui um pouco as coisas. 

Formada em Direito e Artes Plásticas, com pós-graduação em Moda, Fotografia e Design Gráfico, Maria Sanz trabalhou como produtora de moda para um jornal do Espírito Santo. Depois de fazer o primeiro quimono, caiu nas graças de uma produtora de TV. Seguiram-se mais de 20 peças, e ela não parou. 

No ano passado, Maria foi ao Japão. Nas ruas de Tóquio, fotografou mulheres vestindo a sua peça favorita. Em casa, a designer guarda uma coleção de peças compradas na capital japonesa e outras vintage adquiridas em viagens a Londres, Nova York e Sidney, por exemplo. Foi, aliás, na cidade australiana, onde Maria viveu, que ela reencontrou o amor da adolescência, seu atual marido. Tem prova melhor do poder de sedução das gueixas?

http://oglobo.globo.com/ela/moda/estilista-cria-quimonos-para-serem-usados-mesmo-depois-que-atual-onda-oriental-passar-17259594

A ESTILISTA TORY BURCH É HOJE MAIS INFLUENTE DO QUE MIUCCIA PRADA E DIANE VON FURSTENBERG

Fortuna de designer americana está avaliada em mais de US$ 1 bilhão, segundo a 'Forbes' 

Site Oficial: www.toryburch.com.br

Ao compararmos a moda de Tory Burch com a de outros estilistas que desfilam na semana de moda de Nova York, chegamos a uma conclusão: ela não tem medo de estampas. E não tenta disfarçar essa paixonite, logo na terra do minimalismo de Calvin Klein. Mas Tory também tem um lado bem americano: suas roupas são feitas para serem usadas sem esforço (Zac Posen não está nesta lista, ok? Ele, como bem sabemos, gosta de um drama, principalmente na passarela e no tapete vermelho). Tory, de 49 anos, quer deixar a mulher bonita e ponto. 

A mensagem foi captada. E ela, que fundou a grife em 2004, é atualmente uma das cem mulheres mais importantes do mundo, segundo o ranking de 2015 da “Forbes”. A designer, na 73ª posição, está à frente de Diane von Furstenberg e Miuccia Prada. Sua fortuna, diz a revista, está avaliada em um pouco mais de US$ 1 bilhão. E seu império vai muito além da linha de prêt-à-porter: são bolsas, relógios, sapatos, perfumes, batom, cremes para o corpo, sombras e até produtos para casa. Tory vende todo um estilo de vida. 

— É uma grande honra, mas não teria conseguido sem a minha equipe incrível — diz a americana, elegantemente modesta, em entrevista ao ELA. 

E olha que virar estilista não estava em seus planos. Trabalhar com moda, tudo bem. Mas desenhar croquis, definitivamente, não era o seu objetivo. Por muitos anos, ela foi relações-públicas e circulou pelo departamento de marketing de gente importante, como Ralph Lauren, Vera Wang e Narciso Rodriguez, na época em que o designer comandava a Loewe. Foi com eles que Tory descobriu o caminho das pedras. 

— Em cada experiência profissional, adquiri algo de valor inestimável. Aprendi sobre marketing e branding com Ralph, a expandir o negócio para novas categorias com Vera e a cortar e modelar com Narciso — enumera a designer, mostrando que seu sucesso não é mero acaso. — Depois, decidi ficar em casa com meus três filhos. Durante esse período, pensei no que fazer. Percebi um vazio no mercado para peças muito bem desenhadas que não custassem uma fortuna, como camiseta de cashmere, calça cigarrete e caftã. Achei que outras mulheres poderiam estar procurando coisas semelhantes. Lançamos a marca em 2004, com uma butique em Manhattan. Vendemos quase todo o estoque no primeiro dia. 

A construção do império estava esquematizada desde o começo. Mas a situação saiu do controle. No bom sentido.

— A ideia original era abrir três lojas em cinco anos. Abrimos 17. Agora, temos mais de 150 em todo o mundo. É uma quantidade enorme de trabalho, mais do que eu imaginava. Mas estamos contentes que a marca se comunique com tantas mulheres, de diferentes lugares. 

Com um discurso político na ponta da língua, Tory jura que não tem um ideal feminino quando senta para criar. Ela prefere uma abordagem global. Talvez esteja aí a chave para entender as razões que a levaram tão longe. 

— Estou constantemente pensando em mulheres, mas em um nível mundial. Sou realmente influenciada por todos os tipos femininos, de idades e locais diferentes — desconversa. — Quero que as clientes se sintam ótimas com as minhas roupas. Moda é uma forma criativa de expressão. Se estamos confiantes, transparece. 

SAPATILHA COM O NOME DA MÃE 

Fã de Yves Saint Laurent (“O estilista mais influente da história”), a americana conta que sua mãe, Reva, é seu ícone de estilo. 

— Ela é a mulher mais elegante, sem precisar fazer força, que eu conheço — comenta a designer. 



A sapatilha é o ícone da grife de Tory Burch

MODA LUXO, 24.08.15 - Tal qual Jane Birkin e Grace Kelly na Hermès, a designer acabou batizando a peça mais emblemática da etiqueta, uma sapatilha, com o nome da mãe, Reva. 

— Assim que lancei a Reva, em 2006, fui pega de surpresa com sua aceitação. A sapatilha combina dois dos meus conceitos favoritos: o chique descomplicado e o gráfico da logo — comemora Tory, emendando na sequência que suas inspirações estão por todo canto. — Pode ser um artista, uma música ou viagens. Na sequência, penduramos em quadros as amostras de tecidos, recortes de revistas e fotografias. Minha equipe e eu podemos desenhar e editar em conjunto ao longo de muitos meses. Para lançar uma coleção, demora um ano. 

Quando o assunto é design,a estamparia é fundamental. 

— Sempre fui atraída pela forma como as cores interagem e se complementam. Sempre amei estampas grandes e ousadas — esclarece. 

Então a estilista, de repente, surpreende. Apesar da paixão por prints, ela revela que só foi usar um vestido no baile de formatura do ensino médio. 

— Eu era um moleque. Mas a moda estava em meu DNA. Meus pais eram impecáveis (o pai , que já morreu, era um financista que teve um romance com Grace Kelly antes de se casar com Reva, que por sua vez tinha namorado Steve McQueen e Marlon Brando). 

Nascida em uma fazenda na Pensilvânia, Tory cresceu numa casa de 250 anos (old money...), subindo em árvores e jogando tênis com os irmãos. A mudança para Nova York foi depois de se formar em História da Arte. 

— Foi excitante desfazer as malas e sentir a energia da cidade. Nova York é especial. Moro aqui há mais de 20 anos, e ela ainda me inspira — derrete-se. 

Tory costuma acordar às seis da manhã, checa os e-mails e vai à academia antes de levar o filho mais novo ao colégio. No escritório, na Rua 19, no Chelsea, a estilista não para quieta. São reuniões, revisão de desenhos, questões orçamentais, discussão de estratégias... 

— Mas tento fazer tudo a tempo de jantar com meus meninos, ainda que isso signifique fazer uma conference call no carro — diz. 


Os filhos — Henry, Nicholas e Sawyer, frutos de seu casamento com J. Christopher Burch, um financista 13 anos mais velho, de quem se divorciou em 2007 — não demonstram interesse em moda. Por enquanto. 

— Eles só gostam de música, mas tudo bem (risos). Adolescentes podem ser complicados, mas eles são ótimos. Equilibrar a vida profissional e família é um dos meus maiores desafios. Meus garotos sempre estão em primeiro lugar, não importa qual seja a ocasião. Se eu não fosse uma boa mãe, não seria uma boa CEO — discorre.

Além de designer e executiva, ela também é filantropa, como convém a americanos bem-nascidos: desde 2009, toca a Fundação Tory Burch. 

— Capacitamos mulheres empreendedoras, fornecendo acesso ao capital, educação e eventos de networking.

UMA AMERICANA EM PARIS 

A carismática Tory Burch coleciona elogios. Anna Wintour, a editora-chefe da “Vogue” americana, falou muito da designer na apresentação da edição de agosto. Para Anna, ela é uma mulher admirável por conseguir conciliar carreira de sucesso com vida familiar. Quando Tory ainda engatinhava na profissão, a editora chegou a ligar pessoalmente para alguns líderes da indústria para alertar sobre o talento da estilista. A modelo gaúcha Carol Trentini, musa do inverno 2015/2016 da Versace, foi outra que ficou impressionada com Tory. 

— Durante uma campanha que fiz para a marca, tive a oportunidade de perceber que ela não somente se destaca como designer, mas também é uma ótima mulher de negócios. Isso me surpreendeu — avalia Carol. 


Sem se acomodar, a criadora lança em setembro a linha Tory Sport, com uma loja temporária, em Nova York. Não bastasse, ela fincou de vez sua bandeira em Paris, em julho. A abertura da primeira loja independente da grife na França foi badalada. Na ocasião, Tory festejou ao lado de Olivier Rousteing, diretor de criação da Balmain, do estilista Giambattista Valli, da top russa Natalia Vodianova, da editora de moda Anna dello Russo e da atriz Jessica Alba. 

— Entramos no mercado francês em 2008. Estamos presente em 12 multimarcas. Também lançamos um e-commerce local. Há anos queria inaugurar um ponto em Paris. Mas somos uma marca paciente, disposta a esperar o momento correto — conta Tory. — As francesas parecem ter uma abordagem mais discreta em relação à moda. Com elas, é a filosofia do “menos é mais”. As americanas tendem a usar mais cor e estampas.

http://oglobo.globo.com/ela/moda/a-estilista-tory-burch-hoje-mais-influente-do-que-miuccia-prada-diane-von-furstenberg-17258875